Varejo do RS vendeu quase 30% menos durante a greve dos caminhoneiros

O varejo do Rio Grande do Sul vendeu 29,1% menos durante a greve dos caminhoneiros. Esta foi a queda nos últimos nove dias na comparação com os nove dias anteriores ao início da paralisação.

O recorte regional foi enviado para a coluna Acerto de Contas pela Linx, que fez um levantamento nacional. No média do país, a queda foi de 24,1%.

A Linx é especialista em software de gestão. A análise foi baseada na emissão de nota fiscal eletrônica (NFC-e) de quatro dos principais segmentos em que a empresa atua: automotivo, food service (alimentação), postos de combustível e shopping.

No Rio Grande do Sul, os shoppings tiveram a maior queda nas vendas. Foi um recuo levemente maior do que a Linx registrou nos próprios postos de combustível. Veja o desempenho por segmento aqui no Estado:

Shopping -30,1% Postos de combustível -29,3% Food service -23,9% Automotivo -15,5%

Nessa quarta-feira, a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) até divulgou um balanço da situação. Identificou queda média de 15% no fluxo de consumidores nos shoppings brasileiros. Na Região Sul, o recuo foi de 14%. Comparando com a pesquisa da Linx, as vendas

caíram ainda mais do que o fluxo de clientes.

Após o encerramento da maioria dos bloqueios e com mais acesso a combustível nos postos, os pátios dos shoppings começaram a encher de novo. Superintendente do Gravataí Shopping Center, Sílvia Rachewsky mandou uma foto do estacionamento do estabelecimento no fim da tarde, comemorando o retorno do movimento.

- Comparando o fluxo de veículos de quinta a domingo com o mesmo período do ano passado, caiu 27%. Isso que tivemos uma ação de promoções no período. A sorte de uma loja grande de departamentos é que pegou mercadoria de outras unidades que não acreditavam que faria frio. Então, tinha produto e aumentou a taxa de conversão. Quem entrou comprou. Para o Dia dos Namorados, estoque está garantido - comenta a executiva.

Em Porto Alegre, o Shopping Total tem a vantagem da localização, onde muitos clientes conseguem chegar a pé. Ainda assim, sentiram efeitos da paralisação O gerente administrativo, Carlos Trevisan Jr, conta que houve uma redução de 9% no número de veículos que pagaram para estacionar.

- No entanto, houve um aumento de 13% nos veículos que usaram o período de tolerância de 15 minutos. Sinaliza um aumento no uso de táxis e aplicativos de transporte pelos clientes durante a greve - complementa Trevisan.

Quem se deu bem durante este período de consumidores economizando combustível foram as empresas com entrega em casa. Um exemplo foi o Magodrive, serviço de supermercado com vendas pela internet e delivery da rede Supermago.

- Vendemos três vezes mais vinho, por exemplo - contou Rodrigo Machado, sócio do Magrodrive, que manteve as entregas durante a paralisação dos caminhoneiros e a falta de combustíveis.

E agora?

Parte das vendas ficou represada e acontecerá agora conforme a situação se normaliza e o consumidor retorna. Outra parte, no entanto, se perdeu e isso aparecerá nos indicadores consolidados da economia. Analistas já estão revisando suas projeções para o desempenho do segundo trimestre.

FONTE: Giane Guerra - GaúchaZH

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