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COMO ERA BOM MEU SHOPPING CENTER

Shopping center é um lugar onde lojistas podem ganhar ou perder muito dinheiro. Não faltam exemplos de um ou outro caso, em proporções semelhantes. Mas lojistas mais antigos, empreendedores dos primeiros 20 anos de shoppings em Porto Alegre, são praticamente unânimes numa avaliação: 

"Vender em shopping já foi muito mais fácil!"

Talvez o momento mais marcante tenha sido a abertura do BarraShoppingSul, que por seu tamanho e perfil, dividiu efetivamente a clientela, provocando um distúrbio irreversível no mercado.

O que temos agora são custos de ocupação superdimensionados. Custos que estão tornando inviável uma grande quantidade de negócios, não só pela crise, mas também porque o mercado de shoppings mudou muito.

 

Abriram muitos novos shoppings em Porto Alegre e cidades vizinhas e também mudou o perfil e a disponibilidade de consumo da clientela. Aqueles consumidores do interior que vinham fazer compras na capital agora têm shoppings nas suas cidades,  além de um comércio local também forte e adaptado. Consequentemente, o número de espaços comerciais aumentou numa proporção muito maior e mais rápida que a quantidade de consumidores e seu poder aquisitivo .

Como eram boas as datas festivas como Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados e principalmente o Natal. As liquidações eram soberbas e em datas adequadas. 

Novos tempos, portanto, exigem novos pactos, novas atitudes e novos rumos.

Como entidade associativa do varejo de Porto Alegre, a CDL POA tem sido muito demandada por seus associados lojistas de shopping centers. Isso porque é normal o lojista ver em sua entidade de classe uma representação e defesa quando se sente desamparado no mercado em que atua.

 

Na gestão atual, que se iniciou em janeiro deste ano, esse assunto também se tornou recorrente. Para dar voz ao nosso associado e proporcionar um fórum de debate dessa questão com os próprios shoppings, criamos este Hot Site, onde os mais diversos assuntos que envolvam esses empreendimentos poderão ser discutidos.

 

Levando em conta o conhecimento que possuímos de mercado, no qual a maioria de nós tem anos de experiência com lojas próprias, inclusive em vários shoppings, podemos afirmar que trata-se de uma relação de fornecedor e usuário que já nasce desigual.

 

É preciso observar o enorme poder econômico e político do shopping contra um lojista brasileiro despreparado e, não raro, deslumbrado com a possibilidade de ser um "proprietário" de um negócio dentro de um "aparelho" cheio de charme e glamour. Contudo, é também cheio de grandes incógnitas, quando não de perigos, que apenas serão conhecidos quando as vendas não forem suficientes para pagar os elevados custos mensais de ocupação. Na maioria das vezes isso ocorre quando o empreendimento não cumpre com suas promessas iniciais de gerar um fluxo de público qualificado nos dias úteis de comércio no estabelecimento.

 

Todos sabemos, só de observar, que lojas de rua quebram significativamente muito menos, principalmente, porque este lojista conhece melhor os riscos envolvidos no negócio e, em casos de crise como agora, sempre haverá um proprietário do imóvel com quem poderá negociar. Fato este que é normal em nossa cultura: renegociar para que o inquilino possa honrar com os seus compromissos locativos.

 

Nos shoppings, normalmente acontece o contrário. Na hora de negociar o ajuste do valor do aluguel ao fluxo de público que este proporciona ao lojista, tudo fica difícil, para não dizer quase impossível, pois o agendamento de reunião demora semanas e o comitê que analisará a proposta sempre se reunirá apenas no próximo mês.

 

Ainda há outro viés: muitas das lojas de redes em operação não são rentáveis, sendo que, nesse caso, o dinheiro para pagar os custos de ocupação dessa loja deficitária vem de outras unidades rentáveis. Nesse caso, não fecham, por uma questão de manter as "aparências" para a marca.

Portanto, shoppings não são para novos entrantes, pouco capitalizados, pois nem sempre são rentáveis para redes conceituadas, experientes e bem capitalizadas.

 

Claro que algumas marcas, mesmo as grandes, não aceitam esse jogo e fecham logo suas operações, como vem ocorrendo com várias lojas importantes no Barra Shopping Sul.

 

Assim, quando os clientes chegam lá, não encontram mais suas lojas de preferência, o que é muito desagradável, pois com a intransigência do shopping também os consumidores param de frequentar e os lojistas remanescentes perdem mais ainda. Aí começa um "sangrar até a morte", enquanto os advogados do empreendimento executam o seu inquilino, já sem saída, que tem contra si um contrato atípico de 5 anos.

 

Além deste Hot Site, em breve a CDL Porto Alegre também estará sugerindo advogados experientes que poderão ser consultados pelos lojistas em caso de necessidade. Nosso objetivo não é o de assustar, nem o de desencorajar o lojista, mas de alertá-lo para a realidade por trás do glamour. Queremos ser os propositores de um pensamento focado no negócio e no sucesso deste.

 

Comitê CDL POA Shopping

RESPONSÁVEL PELO COMITÊ CDL POA SHOPPING

Nilva Bellenzier

 

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