Shoppings: flexibilizar para sobreviver


Nilva Bellenzier - Coordenadora da CDL POA Shopping e VP da CDL Porto Alegre

O setor de shopping centers brasileiro acaba de encerrar o ano de 2016 com saldo negativo de 18,1 mil lojas. Isso significa uma queda de 12,9% sobre 2015, segundo a Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping). As vendas de 2016 também não se mostraram positivas e indicaram uma queda de 9,7% em relação aos resultados do setor no ano anterior. Ou seja, o que antes era um sonho dourado, com todo aquele deslumbramento de ter uma loja em um local conceituado e de grande circulação, está virando um verdadeiro pesadelo para muitos empresários do varejo. Empreendedores de diferentes segmentos e portes têm procurado a CDLPorto Alegre para tratar de suas dificuldades com as administrações dos empreendimentos. Muitos já não têm esperanças de conseguirem resolver suas questões individualmente e, frequentemente, dizem que sequer conseguem ser atendidos pelo alto escalão dos centros comerciais. É uma relação entre fornecedor e usuário que já nasce desigual e sem transparência. E os problemas relatados são inúmeros. Desde a falta de infraestrutura até o descumprimento de promessas básicas. Principalmente, em relação ao fluxo de público qualificado e a falta de ações ou campanhas promocionais que oportunizem a vinda de mais clientes aos empreendimentos. A única certeza que os lojistas têm, vendendo ou não, é que terão que pagar os elevados custos mensais de ocupação. E, se perceberem que não terão como se manter no local, enfrentarão os contratos, muitas vezes leoninos, quase que unilaterais, percebendo, então, que é difícil entrar em um shopping, mas que sair é ainda mais oneroso. Ou seja, não quero ser pessimista, mas fica quase que impossível empreender em um cenário tão adverso assim. É preciso flexibilidade entre as partes para o alcance do equilíbrio nas relações.

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